INDÚSTRIA DO CONSUMO
Esse texto é um daqueles guardados nos rascunhos.
E é engraçado né?
Como a gente tem tanta coisa pra falar e não fala.
No meu caso por ponderar.
Sabedoria da palavra.
Flecha certeira.
Comecei a escrever sobre a indústria do consumo em 2021.
Mas o que é a indústria do consumo, caro leitor?
Há algumas semanas ouvi de longe, ao redor de uma fogueira, de uma pessoa que não falava comigo, e que também não acredito ser um exemplo interessante a se ouvir que fez um "Curso de Xamanismo".
Sim, vamos ler novamente?
C u r s o
d e X a m a n i s m o
Eu nem me prenderia muito em perguntar valores, quantas pessoas pretas ou xamãs de fato haviam por lá.
É engraçado né?
Nesse mesmo rolê, trocando uma ideia com um grande amigo e liderança Pataxó dava pra sentir no olhar, o como naquela semana de invasão e disrupturas em seu território na Bahia, ele precisava estar ali com sua força e firmeza, num outro território, onde nesse movimento que se faz, está a trabalho, a serviço, e sempre com tanto amor no coração pra acolher a cada um no que precisar.
Juruá acha que colocar pintura, trança, dreads, comprar pulseiras caras, petiguás do tamanho de seu ego, caríssimos, acha que fazer curso disso e daquilo é o que vai ensinar.
É cada diploma bonitinho nas paredes - e digo isso com propriedade, pois como não-juruá estive nessa academia letrada que dá tais diplomas, e quando necessário me apodero e usufruo dos meus na sociedade do papel. Tudo vindo da mão de outros como eles.
Na observância do tempo presente é tão interessante observar .. no detalhe mesmo.
Essa sociedade do papel é a mesma sociedade da fronteira.
Como é que você escolhe lidar e transitar perante tudo isso?
Sendo parte?
Ou sendo hacker?
Ou proporcionando pra quem NUNCA tem?
Eu costumo de dizer que venho de um povo, ou melhor, de uma mistura de pueblos que muito estrategistas e comunicadores, entenderam muito bem quais pegadas e rastros energéticos deixarem pra que os seus próximos pudessem se encontrar.
Os filhos de GAIA.
Quando escrevo elaboro melhor as ideias.
É como estar numa roda de conversa comigo mesma, ou bem, com todos vocês.
Prática coletiva.
Quando uma pessoa indígena fala, não fala sozinha.
Não é uma brincadeira, né?
É como se ver caminhando entre os mundos, caminhando pra lá e pra cá, mas inteiramente aqui. pra cá, mas inteiramente aqui.
É uma transmissão intergeracional.
É que aquilo que é na vivência, na prática, não se aprende num curso.
É a importância da relação do cuidado. Tem a ver com aquilo que nos consome, e a nossa forma de consumo. Pra onde vai nosso dinheiro? Nossa energia?
Comentários
Postar um comentário