JORNAL DAS 7 MULHERES

Uma janela tempo e o convite para ser uma das redatoras e colunistas do Jornal das Sete Mulheres: o único jornal independente, de esquerda, comunista, e com consciência , feito por mulheres, na Serra Gaúcha.

Nossa primeira missão foi realizar a cobertura do 51º Festival de Cinema de Gramado, de 11 a 19 de Agosto de 2023 .. grande começo não?

Na pessoa da Fernanda Silva Dahmer, mulher, mãe e grande amiga de alma, fundadora do jornal, recebemos o convite para iniciar essa jornada.

Eu e outras seis mulheres, sem importar o que estaríamos vivenciando em nossas vidas particulares e individuais, estaríamos emprestando nossos corpos e colocando a energia desses mesmos corpos de modo a ocupar, ser parte e registrar para fins futuros de comprovação que o sul do país não é, nem de perto, nem de longe, uma coisa só.

Essa miscigenação e colonização sulista, perpassa então por mulheres em longa caminhada de resgate ancestral como nós, e reverbera afirmativamente em resposta a cada uma de nós com os filmes premiados abaixo. Os seguintes longas e curtas, gaúchos, nacionais e estrangeiros, foram exibidos entre os dias 12 e 18 de agosto, no Palácio dos Festivais:

LONGAS BRASILEIROS

TIA VIRGÍNIA | SÃO PAULO
MUSSUM, O FILMIS | RIO DE JANEIRO
MAIS PESADO É O CÉU | CEARÁ
UMA FAMÍLIA FELIZ | PARANÁ
ANGELA | SÃO PAULO
O BARULHO DA NOITE | TOCANTINS


LONGAS GAÚCHOS

UM CERTO CINEMA GAÚCHO DE PORTO ALEGRE | PORTO ALEGRE
CÉU ABERTO | DOM PEDRITO
O ACIDENTE | PORTO ALEGRE
HAMLET | PORTO ALEGRE
SOBREVIVENTES DO PAMPA | PORTO ALEGRE

LONGAS DOCUMENTAIS 

ROBERTO FARIAS – MEMÓRIAS DE UM CINEASTA | RIO DE JANEIRO
LUIS FERNANDO VERISSIMO – O FILME | RIO GRANDE DO SUL
MEMÓRIAS DA CHUVA | CEARÁ
ANHANGABAÚ | SÃO PAULO
DA PORTA PRA FORA | DISTRITO FEDERAL


CURTAS GAÚCHOS

COMBUSTÃO ESPONTÂNEA | PELOTAS
LIVRA-ME | SANTA CRUZ DO SUL
GLÊNIO | SANTA MARIA E PORTO ALEGRE
SABÃO LÍQUIDO | PORTO ALEGRE E MAQUINÉ
AURORA | PELOTAS
RASGÃO | PORTO ALEGRE
AS ONDAS | PORTO ALEGRE
CARCINIZAÇÃO | PELOTAS
NAU | PORTO ALEGRE
RESTAURANTE | CAÇAPAVA DO SUL – MINAS DO CAMAQUÃ
MEU NOME É LECO | PORTO ALEGRE
CONCHA DE ÁGUA DOCE | PORTO ALEGRE
FLORA | PORTO ALEGRE
CONCORSO INTERNAZIONALE | GRAMADO
O TEMPO | PORTO ALEGRE
CENTENÁRIO DA MINHA BISA | ALVORADA, PORTO ALEGRE
TREMENDO TROVÃO | PELOTAS
MESSI | TRÊS PASSOS
OS FÉDERS VÃO DORMIR | ESTEIO
COLAPSO TERRA EM CHAMAS | PORTO ALEGRE, VIAMÃO E IGREJINHA
EU TIBANO | SANTA CRUZ DO SUL
FIAR O VENTO | ARAMBARÉ
FITOTERAPIA | PORTO ALEGRE

CURTAS BRASILEIROS

CAMACO | MINAS GERAIS
ELA MORA LOGO ALI | RONDÔNIA
PÁSSARO MEMÓRIA | RIO DE JANEIRO
REMENDO | ESPÍRITO SANTO
JUSSARA | BAHIA
DEIXA | RIO DE JANEIRO
A ÚLTIMA VEZ QUE OUVI DEUS CHORAR | MINAS GERAIS
MÃRI HI – A ÁRVORE DO SONHO | RORAIMA
YÃMÎ YAH-PÁ – FIM DA NOITE | RIO DE JANEIRO
CAMA VAZIA | SÃO PAULO
CASA DE BONECAS | MARANHÃO
SABÃO LÍQUIDO | RIO GRANDE DO SUL

Cada título dos filmes que compunham as mostras competitivas despertavam um aspecto dentro do meu ser..
Há alguns anos as etnoproduções vêm trazendo uma fotografia e edição fortíssimas - a jibóia não pára, o movimento segue vivo, e os cineastas de cada etnia, de cada aldeia, vem se abrindo e abrindo seu conhecimento ancestral de uma forma muito bonita e necessária - que dialogam não apenas em si, mas entre os centros urbanos, os corações, e as univesidades.

Minha mãe fala que existe uma de mim para cada coisa com a qual me envolvo. E me envolvo profundamente.
A potência de transformação, resilência e força que há em cada um de nós, aprendizes desta TERRA é visível em cada um de nossos encontros.
Ontem comentava com um amigo escritor, que é difícil pra mim, pelo momento presente, ter a disciplina de registrar a cada dia (como realizar um download) da informação que aprendi; mas que o venho fazendo, como forma de terapia - de forma não metódica mas de um lugar de inspiração.

O primeiro dia de festival foi credenciamento e mesas de debate. Como estava atuante num hotel cinco estrelas da cidade, acabei não conseguindo estar presente na parte da manhã, mas a van que saíria do meu hotel à tarde me deixou dentro do tapete vermelho.
Curiosamente, nesse mesmo dia, no horário de almoço, Caio Blat passava por mim caminhando pela calçada. Certamente estava hospedado ali por perto. E o tempo, sempre veloz diante de tudo o que gostaríamos de fazer, não me deixou pará-lo um minutinho para conseguir uma entrevista. Mas as não-coincidências ainda assim me surpreendem, Caio Blat era um dos curadores do festival deste ano.

Eu assisti a exibição-estreia de "Tia Virgínia" num dia de semana à noite, dividindo a mesma fileira do cinema com a Vera Holtz. Batemos um papo no final do filme, e eu só conseguia pensar em como em cada núcleo familiar há um cuidador, que irá acompanhar a história de cada membro da família ao longo de sua vida, e manterá acesa a chama do conhecimento, daquilo que não pode e nem deve ser esquecido pelos que vieram depois de nós. No filme - prometo não dar spoiler - uma parente, a tia, vive todas as esquetes do envelhecer.

No segundo dia de festival um casal de amigos do Rio de Janeiro chegou para passar quinze dias de férias na cidade.

À noite, entramos pelo tapete vermelho e fomos assistir Anhangabaú. 
E como sempre, nossos ingressos foram duplamente e exclusivamente verificados (até na porta do cinema), para terem certeza que tínhamos a entrada credenciada livre e autorizada - ainda que o filme se tratasse justamente sobre outras realidades e diásporas. Na primeira tentativa nos foi dito que a sala já estava com a capacidade máxima atingida; sabíamos que não pois outros amigos estavam lá dentro e haviam mais lugares.
Nossa reflexão começou ali.

Nesta semana de glamour, cinema nacional e tapete vermelho, ancestralizou, a querida Léa Garcia, que seria uma das premiadas pelo festival, com o Troféu Oscarito. Assim como a maravilhosa Laura Cardoso, aos 90 anos.




Talvez eu continue esse registro num outro momento, talvez não.

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